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Suméria

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    A Suméria cujo nome significa "terra de reis civilizados" ou "terra nativa", referenciada na Bíblia como Shinar, Shumer pelos acádios, Sngr em egípcio e Sanhar em hitita. Foi uma civilização antiga que teria sido colonizada aproximadamente entre 5.500 e 4.000 a.C., deixando os primeiros registros escritos há apenas 3.500 a.C., vivam no sul da Mesopotâmia na região onde hoje se encontram o Iraque e o Kuwait. Viveram durante a Idade do Cobre e o início da Idade do Bronze. A civilização Suméria descende de outras antigas civilizações que habitavam essa região, evoluindo possivelmente a partir da cultura Samarra, do norte da Mesopotâmia, da cultura Ubaid da mesopotâmia meridional, povos caçadores e pescadores que viviam nos pântanos e na região costeira da Arábia Oriental e povos que habitavam o litoral oriental da Península Arábica, no Golfo Pérsico, antes da inundação ocorrida no fim da última Era do Gelo.

    A história da civilização Suméria é comumente divida em períodos:
   - Período Ubaid: 5.300 – 4.100 a.C. (Neolítico).
      • 5.000 - Desenvolvimento primitivo da Suméria.
   - Período Uruk: 4.100 – 2.900 a.C. (Início da Idade do Bronze).
      • Período Uruk XIV-V: 4.100 – 3.300 a.C.
        => 4.000 - Desenvolvimento da alta civilização.
        => 3.500 - Sumérios se fixam na Mesopotâmia e constroem o templo de Tell Uqair, que durou até 1.900 a.C.
        => 3.300 - Escrita pictórica suméria em tábuas de argila.
      • Período Uruk IV: 3.300 – 3.000 a.C.
        => 3.250 - A escrita suméria evolui para cuneiforme e a roda começa a ser utilizada na Mesopotâmia.
      • Período Jemdet Nasr (Uruk III): 3.000 – 2.900 a.C.
        => 3.000 - Ocorrem conflitos internos políticos e militares. Foi construído o Templo Branco de Uruk.
   - Período Pré-Dinástico (Idade do Bronze)
      • Período da I Pré-Dinastia: 2.900 – 2.800 a.C.
      • Período da II Pré-Dinastia: 2.800 – 2.600 a.C.
        => 2.750 - O lendário Gilgamesh reina sobre Uruk e Enmebaragesi e Agga reinam sobre Kish.
        => 2.600 - A rainha Shudu-ad é enterrada nos Túmulo Reais de Ur.
      • Período da IIIa Pré-Dinastia: 2.600 – 2.500 a.C.
        => 2.550 - Mesalim reina sobre Kish.
        => 2.500 - Lugalannemudu de Abab é o primeiro rei (Ur) a possuir registros escritos na Suméria e que unificou as cidades-estados.
      • Período da IIIb Pré-Dinastia: 2.500 – 2.334 a.C.
        => 2.475 - Ur-Nanshe reina sobre Lagash, Meskalamdug reina sobre Ur. Conflitos militares entre Lagash e Umma perduram por um longo tempo.
        => 2375 - Lugalzaggisi (ou Lugalzagesi) de Umma unifica a Suméria.
   - Período do Império Acádio: 2.334 – 2.218 a.C.
      • 2.350 a 2.340 - Sargão, o Acádio derrota Lugalzaggisi de Umma, conquistando a Suméria e a Acádia, criando um império de superioridade política e econômica.
      • 2.250 - Ascensão das cidades-estados e é inventado o arco-composto, cujas flechas são capazes de penetrar armaduras de couro e possuem o dobro do alcance concedido por arcos comuns.
   - Período Gutiano: 2.218 – 2.047 a.C.
      • 2.218 - Invasão Gútia conquista o Império Acádio-Sumeriano.
      • 2.217 - Shar-kali-sharri, rei da Acádia, é assassinado.
      • 2.200 - Acádia entra em colapso devido às invasões do norte. É escrito em papiro o mais antigo documento do Egito.
      • 2.175 - Gudea reina sobre Lagash.
      • 2.148 - La'arab, rei dos Gútios, conquista a Acádia.
      • 2.133 - Utu-hegal reina em Uruk.
      • 2.120 - Utu-hegal, rei de Uruk, expulsa os Gútios da cidade e Abraão deixa a cidade de Ur rumo a Palestina.
      • 2.112 - Ur-Nammu de Ur reunifica Suméria e Acádia, criando "As Leis de Ur-Nammu".
      • 2.100 - Construção do zigurate em Ur.
   - Período da III Dinastia de Ur: 2.047–1.940 a.C. (Renascimento Sumério).
      • 2.030 - Os elamitas invadem as cidades-estados acádio-sumeriano.
      • 2.020 - Ishbi-Erra, governante amorita de Isin, tenta unificar novamente o território.
      • 2.000 - Amoritas nômades invadem a Mesopotâmia pelo norte e oeste e estabelecem-se num vilarejo chamado Babilônia e adotam Marduque como o deus capital, nessa época estima-se que a população mundial era cerca de 27 milhões de pessoas.

    O primeiro povoamento civilizado sumério foi Eridu, "trazido de Dilmun (hoje Bahrein, um principado no Golfo Pérsico) pelo deus Enki e pelo seu assessor Abgallu (ab=água, gal=grande e lu=homem)". No final do período neolítico (4.300 a.C.), os povos sumerianos, vindos do planalto do Irã, fixaram-se na Caldeia. A civilização Suméria ganhou sua identidade durante o Período Uruk (4.000 a.C.) e se desenvolveu muito bem durante os períodos de Jemdet Nasr e o início do período dinástico, havendo criado pelo menos doze cidades-estados autônomas: Ur, Eridu, Lagash, Umma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e Bad-tibira. Cada uma compreendia uma cidade murada, além das terras e povoados que a circundavam, e tinha divindade própria, cujo templo era a estrutura central da urbe. Com a crescente rivalidade entre as cidades, cada uma instituiu também um rei.

    No período mítico pré-dinástico a Lista Real Sumeriana mostra a passagem de poder de Eridu para Shuruppak no sul, até que ocorreu uma inundação no sul durante o início do período proto-dinástico, provocando a realocação do poder para a cidade de Kish mais ao norte. A hegemonia, que veio a ser conferida aos sacerdotes de Nipur, alternou-se entre várias dinastias competindo entre si entre as cidades-estado sumerianas Kish, Uruk, Ur, Adab e Akshak, bem como algumas do sul da Mesopotâmia, como Awan, Hamazi, e Mari, até os acadianos liderados por Sargão da Acádia conquistarem a região.

   Durante os períodos Jemdet Nasr e Pré-Dinástico ocorreram interações entre os sumérios e os acadianos, formando uma simbiose cultural, onde a linguagem falada de ambas as civilizações acabaram adotando desde empréstimos léxicos em grande escala, até convergências sintáticas, morfológicas e fonológicas. O primeiro rei a unir as diferentes cidades foi o rei Etana da cidade de Kish, por volta de 2 800 a.C. (Período da II Pré-Dinastia). Durante muitos séculos, a liderança foi disputada por Lagash, Ur, Eridu e Kish, o que enfraqueceu os sumérios e tornou-os extremamente vulneráveis a invasores. Entre 2.530 - 2.450 a.C., a região foi dominada pelos reis elamitas, que viviam no sudoeste do atual Irã. Após um período de domínio dos elamitas, os sumérios voltaram a ser independentes. As cidades de Lagash, Umma, Eridu, Uruk e principalmente Ur tiveram seus momentos de glória.

    Entretanto aproveitando as constantes guerras entre as cidades de Lagash e Ur, um grupo nômade do deserto da Síria conhecidos como Semitas se instalaram na Mesopotâmia e organizaram uma robusta civilização em torno da cidade de Acad, a aproximação cultural que já existia facilitou a conquistada da Suméria pelos reis do Império Acadiano dando início ao Período do Império Acádio, o primeiro grande estado mesopotâmico. Contudo o sumério continuou a ser a linguagem mais falada na região, criando uma síntese entre as culturas. Os sumérios retomaram o controle de seus territórios durante a Terceira Dinastia de Ur, também conhecida como período do Renascimento Sumério. Após a queda do civilização Suméria no final deste período, ocorreu um período de transição dos estados amorita antes do surgimento da Babilônia em 1.800 a.C. dominando toda a região.

    A civilização acadiana ou Império Acádio teve início por volta de 2 334 a.C., quando Sargão, o Velho patési (líder local) da cidade da Acádia (Acad), unificou a maioria das cidades-estados sumérias, mantendo as estruturas políticas de cada cidade. Os reis das cidades-estados sumerianas foram mantidos no poder e reconheciam-se como tributários dos conquistadores acadianos. Sargão conseguiu ainda submeter os elamitas, antes de lançar-se à conquista das terras ocidentais, até a costa síria do Mediterrâneo. Criou assim um modelo unificado de governo que influenciou todas as civilizações posteriores do Oriente Médio. O grande rei acádio, guerreiro e conquistador, tornou-se conhecido como "soberano dos quatro cantos da terra". Sua dinastia governou aproximadamente entre 2.350-2.250 a.C.

    O império criado por Sargão desmoronou após um século de existência, em conseqüência de revoltas internas e dos ataques dos Guti, nômades semibárbaros originários dos montes Zagros, a leste da Mesopotâmia, no Alto do Rio Tigre, que investiam contra as regiões urbanizadas, porque a sedentarização das populações do Oriente Médio lhes dificultava a caça e o pastoreio. Por volta de 2.150 a.C., os Guti conquistaram a civilização sumério-acadiana. Depois disso, a história da Mesopotâmia parecia se repetir. A unidade política dos sumério-acadianos era destruída pelos Guti, que, por sua vez, eram vencidos por revoltas internas dos sumério-acadianos.

    A renascença sumeriana (cerca de 2.100–1.950 a.C.) ocorreu graças à reação do rei de Uruk, que expulsou os invasores depois de um século de domínio intermitente, as cidades ficaram novamente independentes. O ponto alto dessa era final da civilização suméria foi o reinado da terceira dinastia de Ur, cujo primeiro rei, Ur-Nammur, reunificou a região sob o controle dos sumérios. Foi um rei enérgico, que construiu os famosos zigurates e publicou o mais antigo código legal encontrado na Mesopotâmia, uma compilação das leis do direito sumeriano. Os reis de Ur não somente restabeleceram a soberania suméria, mas também conquistaram a Acádia. Nesse período, chamado de renascença sumeriana, essa civilização atingiu seu apogeu, mas esse foi o último ato de manifestação do poder político da Suméria.

    O declínio da civilização Suméria ocorreu após os estados locais adquirirem certa autonomia, enfraquecendo o controle político e a união militar. Aproveitando essa oportunidade as tribos elamitas e amoritas iniciaram diversos ataques as cidades-estado, culminado no fim do império e da civilização Suméria. Entretanto a influência dessa cultura nas civilizações posteriores se manteve até os dias atuais. Os amoritas fundaram a Babilônia nessa região, que acabou se tornando um dos maiores impérios do mundo antigo.

    A agricultura sumeriana era muito avançada para sua época, sendo baseada no uso de canais, onde os fazendeiros irrigavam seus campos e então drenavam a água, em seguida deixavam que os bois macerassem a terra e matassem as ervas daninhas, para depois dragar os campos com picaretas e secar. Os campos eram então arados, gradados e eram varridos, sendo depois pulverizados com um alvião. Os sumérios ceifavam durante a fase seca do outono em equipes de três pessoas, consistindo de um ceifador, um enfardador e um feixador. Os fazendeiros usavam um tipo de colheitadeira arcaica para separar os cereais de seus talos e usavam um tipo de trenó de triagem, que separava o grão dos cereais. Os grãos eram então peneirados e misturados.

    A prática da agricultura com irrigação, somada à renovação anual da fertilidade do solo e o excedente que isto gerava de comida, que era armazenada nos granários dos templos, permitiu um crescimento populacional na região a níveis nunca vistos até então, ao contrário do que ocorria com as culturas mais antigas, que praticavam a agricultura itinerante. Este aumento na densidade populacional, por sua vez, ao mesmo tempo criou e tornou necessária uma força de trabalho cada vez maior, e gerou uma divisão do trabalho, criando diversas artes e ofícios especializados. Ao mesmo tempo, a utilização excessiva dos solos irrigados provocou uma salinização do solo, o que gerou uma crise malthusiana que causou um declínio populacional da região suméria ao longo do tempo, e que fez com que ela viesse a ser eclipsada pelos acádios que habitavam regiões mais setentrionais da Mesopotâmia.

    As Cidades estado sumérias surgiram como assentamentos urbanos permanentes durante todo o ano, motivados por intensas práticas agrícolas e boas produtividades. O trabalho exigido na manutenção dos canais de irrigação e o excedente resultante dos alimentos concentraram as populações, que já possuíam líderes seculares desde os tempos mais antigos. Os centros de Eridu e Uruk, duas das cidades mais antigas, tiveram complexos de templos sucessivamente mais elaborados construídos por tijolos de lama. Desenvolvendo-se a partir de pequenos santuários com os primeiros assentamentos, haviam se tornado o centro da maioria das estruturas se impondo em suas respectivas cidades.

    Essas cidades se tornaram independentes durante o Período Uruk, sendo delimitadas por canais ou muros de pedra, eram centradas em um templo dedicado a um deus ou deusa protetor da cidade e governado por um sacerdote-rei ou supremo-sacerdotes (Ensi ou intermediário entre os deuses e a humanidade) ou por um rei (Lugal) ou e chefes militares que estava intimamente ligado aos rituais religiosos da cidade, controlavam a construção e a manutenção de diques, canais de irrigação, barragens, reservatórios, templos, zigurates (pirâmides em homenagem aos deuses feitas de tijolos maciços cozidos ao sol) e celeiros, impondo e administrando os tributos a que toda população estava sujeita. Eles eram auxiliados por uma aristocracia constituída por burocratas, sacerdotes e um conselho de anciões. Quando morria um desses governantes, era tradição na época enterrar junto suas jóias, sua viúva e seus servidores.

Zigurate de Ur - AVPH
Zigurate de Ur

    Os sumérios usavam roupas tecidas, possuíam exército regular e utilizavam carros com rodas. Do lado de fora das cidades-estados, ficavam os camponeses, os fazendeiros e os criadores, que cultivavam: cevada, grão-de-bico, lentilha, ervilha, milhete, nabo, tâmara, alho, alface, Alho-poró, mostarda, pepino, cebola, trigo e criavam bovinos, carneiros, cabras e porcos, tinham como instrumentos de trabalho serras, enxadas, odres de água, caixas, arreios, bainhas, botas, sandálias e manejavam o couro; os barqueiros faziam transportes marítimos baseados em três tipos de barco: os barcos de pele, feitos a partir de cana e peles de animais, os barcos a vela, caracterizados por serem feitos com betume, sendo à prova d'água e os barcos a remo (com remos feitos de madeira), às vezes usados para subir a correnteza, sendo puxados a partir de ambas as margens do rio por pessoas e animais; pescadores/caçadores que forneciam peixes, caçavam aves selvagens ao longo do rio, utilizando arpões, lanças, fundas e flechas; os negociantes estabeleceram relações comerciais com vários povos da costa do Mediterrâneo e do Vale do Indo, revendo itens como madeira (cedro do Líbano) e dando início as feiras da antiguidade; os artesãos confeccionavam anéis, roupas e utensílios de marfim, ouro, prata, galena, couro e lápis-lazúli, utilizando-se de cinzéis, martelos, braçadeiras, brocas, pregos, alfinetes, cola e tendo como principal força de trabalho motriz bois e onagros (burros) como animal de transporte.

    Todos esses setores eram auxiliados por escravos, que eram inimigos capturados ou pessoas endividadas, eles não representavam grande parte da economia, entretanto os escravos possuíam alguns privilégios, como por exemplo, liberdade para se casar. Mulheres escravas trabalhavam como tecelãs, prensadoras, moleiras e carregadoras. No geral a comida era abundante e, por isso, as populações cresciam rapidamente.

   As principais cidades estados, templo principal e deuses:
   • Eridu (Abu Shahrain), E-Abzu, Enki.
   • Bad-tibira (Tell al-Madain), E-mush, Dumuzi e Inana.
   • Larsa (as-Senkereh), E-babbar, Utu (sol).
   • Sippar (Abu Habbah), E-babbar, Utu (filho).
   • Shuruppak (Fara), E-dimgalanna, Sud (variante de Ninlil, esposa de Enlil).
   • Uruk (Warka), E-anna, Inana e An.
   • Kish (Uheimir & Ingharra), ?, Ninhursag.
   • Ur (al-Muqayyar), E-kishnugal, Nanna (lua).
   • Nipur (Afak), E-kur, Enlil.
   • Lagash (al-Hiba)
   • Girsu (Tello or Telloh), E-ninnu, Ningirsu.
   • Umma (Jokha), E-mah, Shara (filho de Inana).
   • Hamazi
   • Adab (Bismaya)
   • Mari (Hariri)
   • Akshak
   • Acádia
   • Isin (Ishan al-Bahriyat)
   • Kuara (al-Lahm)
   • Zabala (Ibzeikh)
   • Kisurra (Abu Hatab)
   • Marad (Wannat es-Sadum), E-igikalamma, Lugal-Marada (variante de Ninurta).
   • Dilbat (ed-Duleim)
   • Borsipa (Birs Nimrud)
   • Kutha (Ibrahim), E-meslam, Nergal.
   • Der (al-Badra)
   • Eshnunna (Asmar)
   • Nagar (Brak)

    A cidade suméria de Eridu, no litoral do Golfo Pérsico, foi a primeira cidade do mundo na qual três culturas diferentes coexistiram:
   • Fazendeiros e camponeses ubaidas, que viviam em cabanas de barro e praticavam a irrigação;
   • Pastores semitas nômades que viviam em tendas negras, seguindo seus rebanhos de ovelhas e cabras;
   • Pescadores ancestrais diretos dos sumérios, que viviam em cabanas de junco nos pântanos.

    O desenvolvimento de um sofisticado sistema de administração levou a invenção da escrita de números por volta de 3.500 a.C. e a escrita ideográfica por volta de 3.000 a.C., a qual se desenvolveu na escrita logográfica feita de desenhos ou pictogramas por volta 2.600 a.C., mais primitiva que a dos egípcios. Mais tarde, os pictogramas foram substituídos por sinais que representavam não mais objetos, mas sons e sílabas. A escrita possibilitou aos sumérios o armazenamento do conhecimento e a possibilidade de transmitir o conhecimento as gerações futuras, levando à criação de escolas, à educação e oficialização da matemática, religião, burocracia, divisão de trabalho e sistema de classes sociais.

    A escrita suméria era conhecida como sistema cuneiforme de escrita, devido os símbolos serem desenhados com um caniço afiado chamado de estilete, cujas impressões deixadas tinham a forma de cunha. Este primeiro e a mais antigo sistema de língua humana escrita conhecida foi adotado por toda a Mesopotâmia e povos vizinhos, os próprios acádios, após invadirem e conquistarem a Suméria, adotaram o sistema cuneiforme incorporando-o em sua língua. A escrita cuneiforme começou como um sistema pictográfico, onde o objeto representado expressava apenas uma ideia. Utilizavam principalmente tábuas de argila cozidas no forno para escrever e essas tábuas foram capazes de "sobreviver" até os dias atuais, deixando um acervo de milhares de textos que incluem cartas pessoais, de negócios, transações comerciais, receitas, vocabulários, leis, hinos, rezas, encantamentos de magia e textos científicos incluindo matemática, astronomia e medicina. Muitos desses textos possuem diversas cópias devido terem sido transcritos repetidamente por escribas em treinamento. Existiam até escolas de Edubba ("Casa de Tabuinhas"), que eram centros de aprendizagem de escrita e de arquivamento de escritos literários, se tornando um dos primeiros centros acadêmicos e um das primeiras bibliotecas da história.

tábua de argila - AVPH
Tábua de argila

    A língua suméria é classificada como isolada, isto é, ela não está diretamente relacionada a nenhuma outra língua conhecida, ela é aglutinante, ou seja, os morfemas (as menores unidades com sentido da língua) se justapõem para formar palavras.

    As edificações sumérias eram feitas de tijolos de barro, desprovidas de argamassa ou cimento. As lacunas eram preenchidas com betume, engaço, cana e cizânias. Essas construções feitas com tijolos de barro, acabavam se deteriorando, sendo necessário periodicamente serem reconstruídas no mesmo lugar. Essa constante reconstrução gradualmente acabou elevando o nível das cidades, que se ergueram acima da planície à sua volta, resultando em aterros (chamados em inglês de tell). As construções mais famosas sumérias são os zigurates, que são construções largas, composta de plataformas sobrepostas que possuíam templos no topo. Esses edifícios de elevada altura e grande porte foram a inspiração para a Torre de Babel bíblica. Esse tipo de construção evoluiu dessa forma devido a planície do Rios Tigre e Eufrates possuírem pouca disponibilidade de minerais e árvores.

    A ciência dos sumérios contribuiu em grande parte para a ciência atual, como por exemplo o sistema sexagesimal, sistemas de medidas de capacidade, de superfície e de pesos, réguas graduadas, dividiram os dias em 24 horas iguais de 12 Danna (que eram horas duplas) e cada hora possuía 60 minutos, o calendário de 12 meses, manuais rudimentares de medicina que possuíam fórmulas químicas (baseadas em substancias vegetais, animais e minerais, que serviam como laxantes, purgantes e diuréticos) e encantamentos para curar doenças, que eram causadas devido a presença de um demônio dentro do corpo humano e os encantamentos deveriam persuadir o demônio a acreditar na ideia de que continuar residindo naquele corpo seria uma experiência desagradável. Conseguiam realizar processos de fermentação nos alimentos para produção de cervejas e vinhos. Construíram sistemas legais e administrativos com cortes judiciais e prisões. Todas essas tecnologias foram deixadas de herança para os babilônicos.

    O exército sumério era baseado em infantaria leve, que utilizava armas e armaduras como machados de guerra, facas, adagas, espadas, lanças, capacetes de cobre, capas de feltro e kilts de couro (espécie de saia). Existiam também em menor número armas de ataque a distância, que eram composta basicamente de fundas e arcos simples com flechas. Outra inovação suméria foi a utilização de carroças ou carruagens em batalhas, as quais eram puxadas geralmente por 4 onagros (burros selvagens), entretanto essas carroças antigas não eram tão boas em combate, servindo melhor como meio de transporte para armas, armaduras e suprimentos. As carroças eram compostas de quatro rodas sólidas de design triplo, que eram conduzidas normalmente por 2 pessoas. As cidades sumérias eram sempre defendidas por muralhas de tijolos de barro, que auxiliavam na defesa temporária até a estruturação da formação defensiva, pois essas muralhas eram frágeis e eram destruídas facilmente pelos inimigos. Os sumérios se baseavam em guerras de cerco entre suas cidades, cortando o fornecimento de água e suprimentos da cidade até que fossem obrigados a sair das muralhas para lutar. A região da Mesopotâmia não apresenta muitas defesas ou barreiras naturais, possibilitando o ataque de inimigos por quase todos os lados.

    Os sumérios acreditavam que os deuses criaram o ser humano a partir do barro para os servir. Quando os deuses estavam zangados, provocavam terremotos ou catástrofes naturais, tendo como essência primordial a crença de que toda a humanidade estava sujeita a vontade dos deuses. Acreditavam que a vida após a morte consistia em uma descida ao submundo, onde se passava a eternidade numa existência deplorável no inferno.
    Os principais deuses e figuras mitológicas adoradas pelos sumérios foram:
   • An, deus do céu;
   • Nammu, a deusa-mãe;
   • Inanna, a deusa do amor e da guerra (equivalente à deusa Ishtar dos acadianos);
   • Enlil, o deus do vento;
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Genealogia deuses sumérios acadianos - AVPH

    A astronomia que consiste no estudo da observação dos astros, foi praticamente iniciada pelos sumérios, deixando centenas de inscrições e textos sobre observações celestes, como listas específicas de constelações, posicionamento de planetas no espaço, informações e manuais de observação astronômicos. Contendo textos específicos sobre o sistema solar e o movimento dos planetas em torno do Sol, considerando o sistema solar um conjunto composto de 12 planetas, incluindo o sol e a lua. O décimo planeta era chamado por eles de Nibiru, que seria um planeta além de plutão com uma orbita muito extensa de cerca de 3000 anos. As inscrições mais antigas ultrapassa os 4500 a.C. e estão agora conservadas no Museu Pergamon. Os sumérios acreditavam que o universo consistia num disco plano fechado por uma cúpula de latão.


Dados da Civilização:
Nome: Suméria
Idade: 5.500 a 1.940 a.C.
Local: Mesopotâmia
Tamanho: mil m²

Referências:
- Deutscher, Guy. Syntactic Change in Akkadian: The Evolution of Sentential Complementation (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press, 2007. p. 20–21. ISBN 978-0-19-953222-3.
- George, Andrew (1993), House Most High. The Temples of Ancient Mesopotamia (Winona Lake: Eisenbrauns).
- Jacobsen, Thorkild (Ed) (1939),"The Sumerian King List" (Oriental Institute of the University of Chicago; Assyriological Studies.
- Kramer, Samuel Noah. Sumerian mythology: A study of spiritual and literary achievement in the third millennium BC.
- Maisels, Charles Keith. (2001). "Early Civilizations of the Old World: The Formative Histories of Egypt, the Levant, Mesopotamia, India and China" (em inglês). ISBN 978-0-415-10976-5.
- Pollock, Susan. Ancient Mesopotamia: The Eden that never was (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 1999. Seção Case Studies in Early Societies. p. 2. ISBN 9780521575683.
- Sumer (ancient region, Iraq) (em inglês) Encyclopedia Britannica.
- van der Toorn, K. e Horst, P. W. van der. (janeiro de 1990). "Nimrod before and after the Bible" (em inglês). The Harvard Theological Review 83 p. 1–29. DOI:10.1017/S0017816000005502.


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